O prefeito Heron Guimarães comentou sobre o homenageado, Nelson Flores, que viveu na Colônia Santa Isabel e foi autor do livro “O Machado e a Rosa”. Disse ainda que o local era um ponto de descarte irregular de lixo e que a criação do parque foi ideia do Roberto, diretor da Defesa Civil, que idealizou o projeto. “A ideia foi dele, mas a união de diversos setores da Prefeitura proporcionou este dia. Hoje, no Dia da Árvore, temos o orgulho de inaugurar o Parque Ecológico Paraopeba Vivo Nelson Flores, pois cuidar do meio ambiente é cuidar das pessoas. Onde havia risco, hoje temos preservação, área de lazer e interação”.

Guimarães explicou que o parque é o primeiro a ser entregue dentro do “Projeto Paraopeba Vivo”, que pretende restaurar os mananciais e recuperar a área verde às margens do rio. “Este parque representa o legado de preservação e lazer para a população. Implantamos aqui nas margens do Rio Goiabinha, afluente do Rio Paraopeba, este parque com 17 mil m²; pista de caminhada e ciclovia de 600 metros; esplanada para eventos; academia ao ar livre; parque infantil; amplas áreas verdes; e um mural de grafite do artista Skilo, retratando a fauna mineira; além de estacionamento, bebedouros e pórticos de entrada. Que o parque seja local de encontro, pertencimento e orgulho para essa comunidade. E quem sabe conseguimos incentivar outras cidades a seguir este exemplo”, finalizou.

A viúva, Zeneide Flores, agradeceu pela oportunidade de ver o nome do marido batizando o parque, que dá nova vida à Colônia Santa Isabel.

Thiago Flores fez elogios ao pai, que nasceu em 1943, em Águas Vermelhas (MG). Aos 12 anos, sua vida mudou drasticamente com o diagnóstico de hanseníase. A doença trouxe não apenas dormências, manchas e caroços, mas também o peso do preconceito, da segregação e da separação de sua família. Ainda em 1955, ele foi internado compulsoriamente na Colônia Santa Isabel, em Betim, onde viveu parte de sua infância e juventude. A dor se transformou em militância, com o voluntariado no Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), e passou a atuar pela reparação histórica. Foi um dos protagonistas na lei de indenização dos ex-pacientes de hanseníase e seus filhos, separados de suas famílias.

“Meu pai registrou suas memórias e paixões em obras literárias. A Colônia Santa Isabel e o Rio Paraopeba foram uma de suas grandes inspirações. Dentre suas obras, destaco “A Rosa e o Machado”, um relato profundo sobre sua trajetória e sobre a exclusão social causada pela doença. O Parque Ecológico Paraopeba Vivo Nelson Flores representa a cessação das batalhas e lutas, não só do meu pai, mas de diversas famílias que lutaram e ainda lutam por mais igualdade social. Agradeço ao prefeito Heron Guimarães e aos vereadores que proporcionaram esta homenagem. Seguimos firme com esta bandeira”, finalizou Flores.

A iniciativa do parque consolida um projeto inovador de recuperação de áreas ribeirinhas, servindo como modelo para futuras intervenções ambientais na cidade.













