Usina de Itaipu testa usina solar flutuante e vê potencial para dobrar capacidade de geração

Projeto-piloto instalado sobre o reservatório da hidrelétrica funciona como laboratório de pesquisa; estimativa é que 10% do lago com placas solares equivaleria a outra Itaipu
Fotos: Agência Brasil

A usina hidrelétrica de Itaipu, uma das maiores do mundo, pode estar à beira de uma revolução silenciosa. Sobre o espelho d’água que se estende por 1,3 mil km² na fronteira entre Brasil e Paraguai, engenheiros das duas nacionalidades testam desde o ano passado uma planta solar flutuante com potencial para transformar o complexo em uma referência também em energia fotovoltaica.

Instalada em uma área de menos de 10 mil m², a “ilha solar” reúne 1.584 painéis fotovoltaicos ancorados a 15 metros da margem paraguaia, em profundidade de 7 metros. Com capacidade para gerar 1 megawatt-pico (MWp) — suficiente para abastecer 650 residências —, o sistema opera exclusivamente para consumo interno da própria usina, sem conexão com a rede hidrelétrica ou comercialização de energia.

Mas o objetivo do projeto vai muito além da geração imediata. Trata-se, na prática, de um laboratório de pesquisa em larga escala. Técnicos brasileiros e paraguaios monitoram de perto a interação dos painéis com o ecossistema aquático: eventuais impactos sobre peixes e algas, alterações na temperatura da água, influência dos ventos no desempenho das placas, além da estabilidade das estruturas flutuantes e do sistema de ancoragem.

“Se falarmos em um potencial bem teórico, uma área de 10% do reservatório coberta com placas solares seria o mesmo que outra usina de Itaipu, em termos de capacidade de geração”, afirma Rogério Meneghetti, superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional. Ele pondera, no entanto, que cobrir uma porção tão vasta do lago não está nos planos atuais. “Claro que isso não está nos planos, pois seria uma área muito grande e depende ainda de muitos estudos, mas mostra o potencial dessa pesquisa”, completa.

Estimativas preliminares indicam que seriam necessários pelo menos quatro anos de obras para alcançar uma geração solar de 3 mil megawatts (MW) — o equivalente a cerca de 20% da capacidade instalada atual da hidrelétrica, que hoje chega a 14 mil MW.

O investimento no projeto-piloto foi de US$ 854,5 mil (cerca de R$ 4,3 milhões na cotação atual). A instalação ficou a cargo de um consórcio binacional formado pela brasileira Sunlution e pela paraguaia Luxacril, vencedoras da licitação.

Apesar do entusiasmo técnico, a eventual expansão da geração solar sobre o reservatório esbarra em questões legais. Qualquer avanço comercial dependerá de atualização do Tratado de Itaipu, firmado em 1973 entre Brasil e Paraguai, que atualmente não prevê esse tipo de aproveitamento energético. Por enquanto, a pequena usina flutuante segue como promessa silenciosa de um futuro mais limpo e diversificado para a gigante sul-americana.

Fonte: Agência Brasil

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