Tecnologia mineira acelera uso da macaúba como biocombustível para aviação

Pesquisa da Unimontes, com apoio do Governo de Minas, reduz tempo de germinação da palmeira de 2 anos para 2 semanas, viabilizando cultivo em larga escala e atraindo investimentos bilionários.
Fotos: Redes Sociais

Uma inovação tecnológica desenvolvida pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) está impulsionando o uso da macaúba, uma palmeira nativa do Cerrado, como fonte de biocombustível sustentável para a aviação civil. A pesquisa, que contou com apoio do Governo de Minas Gerais por meio da Fapemig, resolveu um dos principais obstáculos para o cultivo comercial da planta: a lenta e irregular germinação de suas sementes.

Coordenado pelo professor Leonardo Ribeiro, o trabalho desenvolvido no Laboratório de Reprodução Vegetal criou um protocolo que reduz drasticamente o tempo de germinação – de até dois anos para apenas duas semanas. A descoberta supera a “dormência” da semente, um mecanismo natural que antes limitava a taxa de sucesso para apenas 10% das sementes, inviabilizando plantios em grande escala.

“Nosso grupo estuda tecnologias para favorecer a germinação e a produção de mudas em larga escala. Dessa forma, é possível a implantação de cultivos e a expansão da cultura”, explicou o pesquisador.

A tecnologia, patenteada em 2018, chamou a atenção do setor energético. Em 2023, a Unimontes transferiu a patente para a multinacional Acelen Energia Renovável. O acordo de licenciamento, que inclui o pagamento de royalties à universidade, já gerou investimentos superiores a R$ 300 milhões e cerca de 90 empregos diretos na região.

A parceria resultou na inauguração, em Montes Claros, do maior centro de inovação para pesquisas com macaúba do mundo. A unidade tem capacidade para produzir até 10 milhões de mudas por ano, com o objetivo de implantar entre 100 e 200 mil hectares de cultivo.

“Estamos felizes que as pesquisas que desenvolvemos aqui são úteis para impulsionar o desenvolvimento da região e oferecer oportunidades de emprego e geração de renda”, celebrou o professor Leonardo Ribeiro.

O projeto total da Acelen prevê investimentos de até R$ 3 bilhões em plantios e unidades de beneficiamento, consolidando a macaúba – considerada uma das plantas mais oleaginosas conhecidas – como uma matéria-prima estratégica para a produção de bioquerosene de aviação, uma alternativa renovável aos combustíveis fósseis.

Fonte: Agência Minas

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