Morre aos 77 anos o cartunista Mário Vale, que batizou o jornal “O Tempo” no início da brilhante carreira

Mário Vale faleceu em um hospital de Belo Horizonte na tarde desta quarta-feira (25), onde estava internado e não resistiu ao tratamento de uma forte pneumonia. Aos 27 anos, quando já se destacava na área de comunicação, em um bate-papo informal no restaurante Baiúca, na movimentada churrascaria de Betim, em meados da década de 1970, ele sugeriu o nome “O Tempo” para o tradicional jornal da cidade, fundado por Closé Limongi em setembro de 1974. A publicação ficou sob o comando de Limongi por 16 anos, até ser adquirida pelo Grupo Sada em 1989.
Fotos: Divulgação – Arquivo JC

“Ainda lembro como se fosse hoje. Eu era sócio da Baiúca e pensava em criar um jornal. Foi quando convidei amigos para discutir o projeto, tomando umas e outras. Na mesa, além de Mário, estava outro artista plástico, Marcelo Xavier, e o então estudante de jornalismo Inácio Muzzi. Vários nomes foram sugeridos para o jornal, até que Mário disse: “O Tempo”. Aprovei na hora, e todos concordaram. Ali mesmo, na mesa, ele fez o layout do jornal, que está em circulação até hoje, há mais de 50 anos”. Buscou na memória, Limongi.

Mário participou das primeiras edições d’O Tempo com suas ilustrações como na edição 16, que divulgava as eleições municipais de 1976. Ele produziu a capa do jornal com as caricaturas dos candidatos a prefeito da época: Zito do Cartório, Célio Nogueira, Roberto do DNER, Alvim Barbosa, Osvaldo Franco, que foi eleito e Antônio Ássimos.

Mário Vale nasceu na capital mineira e viveu no Bairro Nova Suíça. Éramos vizinhos e frequentávamos a mesma turma da Pizzaria Guarujá, onde a galera se reunia nos finais de semana antes de sair para as quebradas. Formado em Direito e, posteriormente, na Escola de Belas Artes de BH, ele foi cartunista, escritor, artista plástico, programador visual e ilustrador. Publicou mais de 30 livros infanto-juvenis, em parceria com o artista plástico Marcelo Xavier, além de ter suas charges divulgadas em diversos jornais e revistas do Brasil. Criou ainda 12 desenhos animados, que foram veiculados nacionalmente pela TV Globo.

Reconhecimento: A carreira do artista foi agraciada com vários prêmios:

· Prêmio Cartum no XIII Salão Internacional de Humor de Piracicaba;

· Selo Altamente Recomendável (FNLIJ);· Prêmio Jabuti;

· Prêmio Luis Jardim – FNLIJ – com “A linha do Mário Vale”, eleito o melhor livro de imagens de 2007.

Suas obras também foram adotadas em programas dos governos federal, estadual e municipal, e ele foi selecionado para importantes projetos, como o “Clube de Leitura ODS”, da ONU.

O velório do amigo Mário Vale está marcado para domingo, 1º de março, das 13h30 às 15h30, no Memorial Grupo Zelo, na Avenida Contorno, 8657, no bairro Gutierrez, em Belo Horizonte.

A equipe do Jornal do Closé presta condolências à família

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