Moedas digitais: Banco Central regulamenta mercado de criptomoedas no Brasil

O Banco Central (BC) publicou nesta segunda-feira (10) as regras que regulamentam o mercado de criptoativos no Brasil. As normas, que entrarão em vigor em fevereiro de 2026, definem os critérios de autorização e operação para as empresas do setor, visando equilibrar o estímulo à inovação com a segurança do sistema financeiro.
Foto: Redes Sociais

As regras foram estabelecidas por meio de três resoluções (nº 519, 520 e 521) e instituem as Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAVs), empresas que poderão ser criadas exclusivamente para atuar nesse mercado. Instituições financeiras já existentes, como bancos e corretoras, também estão autorizadas a prestar esses serviços, desde que devidamente regulamentadas.

De acordo com o diretor de Regulação do BC, Gilneu Vivan, o grande desafio foi “equilibrar o incentivo à inovação com a segurança na negociação para o sistema financeiro”. Ele destacou que as medidas vão “reduzir o espaço para golpes, fraudes e, principalmente, para o uso desse mercado para lavagem de dinheiro”.

Principais pontos da regulamentação:

· Criação das SPSAVs: As empresas dedicadas ao setor serão classificadas como intermediárias, custodiantes ou corretoras de ativos virtuais.

· Autorização de Funcionamento: Estabelece o processo para que novas empresas e as que já atuam no mercado solicitem autorização do BC até 2026.

· Operações de Câmbio: Define que pagamentos e transferências internacionais usando criptoativos, bem como a compra e venda de stablecoins (moedas referenciadas em moeda fiduciária, como o dólar), passam a ser tratados como operações de câmbio, sujeitas às regras do setor.

· Proteção ao Cliente: As empresas ficam submetidas a normas de proteção e transparência com o cliente, prevenção à lavagem de dinheiro, governança corporativa e segurança da informação.

A regulamentação tem base na Lei 14.478/2022, que trouxe as diretrizes para o setor, e no Decreto 11.563/2023, que designou o Banco Central como o órgão regulador. O BC ressaltou que a regulação busca limitar os riscos dos sistemas descentralizados sem impedir o surgimento de inovações, reconhecendo os criptoativos como uma “importante oportunidade” para aumentar a eficiência e a inclusão financeira.

As resoluções passaram por consulta pública e receberam contribuições de diversos agentes do mercado antes da versão final.

Fonte: Agência Brasil

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