Minas Gerais aposta em asfalto de borracha para tornar rodovias mais sustentáveis e seguras

Tecnologia aplicada em trechos do Sul do estado reaproveita pneus inservíveis e aumenta durabilidade do pavimento; cada quilômetro de estrada consome cerca de 350 pneus reciclados

Enquanto o descarte irregular de pneus velhos ainda representa um desafio ambiental em todo o país, uma solução desenvolvida para as rodovias mineiras começa a ganhar tração literalmente. O asfalto-borracha, produzido com cerca de 15% de borracha moída de pneus inservíveis, está sendo aplicado na recuperação de estradas no Sul de Minas Gerais, numa iniciativa que combina inovação, segurança viária e sustentabilidade.

A tecnologia é empregada pela concessionária EPR Vias do Café nos trechos que ligam os municípios de Monte Belo, Areado e Muzambinho. Até o fim do ano, a previsão é recuperar aproximadamente 100 quilômetros de pavimento, o que deve consumir cerca de 70 mil pneus que, de outra forma, levariam até 600 anos para se decompor na natureza.

O trabalho está sendo acompanhado pela Agência Reguladora de Transportes do Estado de Minas Gerais (Artemig), que fiscaliza a qualidade e a evolução dos serviços prestados nas rodovias concedidas.

“A Artemig incentiva a adoção de soluções que elevem o padrão das rodovias mineiras, combinando sustentabilidade, inovação e segurança viária. O uso do asfalto-borracha é um exemplo de tecnologia que gera benefícios ambientais e melhora a experiência dos usuários”, afirma o diretor-geral da agência, Breno Longobucco.

Mais durável e mais seguro

Os ganhos, porém, vão além da destinação correta de resíduos. O asfalto-borracha apresenta resistência ao trincamento até cinco vezes superior à do asfalto convencional, o que reduz a necessidade de intervenções corretivas e amplia a vida útil da pista.

A segurança também sai ganhando. O material melhora a aderência dos pneus à rodovia, diminuindo o risco de derrapagens. Em dias de chuva, minimiza o chamado efeito spray — a dispersão de gotículas de água levantadas pelos veículos —, aumentando a visibilidade e as condições de condução.

Com a tecnologia, cada quilômetro de estrada recuperado reaproveita cerca de 350 pneus que seriam descartados. A expectativa é de que o modelo, bem-sucedido no Sul do estado, possa ser expandido para outras regiões mineiras nos próximos anos.

Fonte: Agência Minas

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