Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) citados pela federação, o preço médio do litro do diesel S10 saltou de R$ 6,15 na primeira semana de março para R$ 6,89 na semana seguinte, um reajuste de 12% em apenas sete dias.

Para a diretora da FUP, Cibele Vieira, o atual cenário é consequência direta da falta de controle público sobre a cadeia de combustíveis e da dependência externa. “A Petrobras pode equilibrar preços na refinaria, mas não controla o que acontece depois. Sem distribuição pública e com parte do diesel sendo importado, abre-se espaço para aumentos abusivos ao longo da cadeia”, afirmou a sindicalista.
A federação reconheceu os esforços do governo federal para conter a alta. Na última quinta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins sobre o diesel, além da subvenção de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores. Nesta quarta, o governo propôs aos estados a zeragem do ICMS sobre o diesel importado.
As iniciativas tentam amenizar os efeitos do choque externo. O barril do petróleo tipo Brent, referência global, opera a cerca de US$ 108, acumulando alta de aproximadamente 55% no último mês. O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, o que expõe o mercado interno às variações internacionais.
No último sábado (14), a Petrobras reajustou o diesel vendido às distribuidoras em R$ 0,38, para R$ 3,65 por litro — impacto que ainda não foi capturado pelas estatísticas da ANP. Apesar do reajuste, a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) aponta que o preço praticado pela estatal segue 59% abaixo da paridade internacional.
A FUP, no entanto, sustenta que mesmo com a política de preços adotada desde 2023, que busca amortecer as oscilações, a Petrobras não tem ingerência sobre o valor final ao consumidor. A entidade critica a privatização da BR Distribuidora (atual Vibra Energia), ocorrida no governo passado. O negócio incluiu cláusula que permite o uso da marca BR até 2029, mas a Petrobras foi impedida de competir com a compradora.
O coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, alertou para o efeito cascata do aumento. “Quando o diesel sobe, não é só o combustível que encarece, mas também o transporte, os alimentos, a inflação. O aumento se espalha por toda a economia”, afirmou, acrescentando que, enquanto a estatal busca proteger o país, empresas privadas “repassam imediatamente qualquer alta ao consumidor”.

O choque global nos preços do petróleo foi desencadeado pela ofensiva militar de Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro. Como possível retaliação, o Irã ameaça bloquear o Estreito de Ormuz, rota por onde escoam 20% da produção mundial de petróleo e gás. O gargalo na região já eleva a cotação da commodity e levou o país persa a alertar o mundo para se preparar para o barril a US$ 200.
Fonte: Agência Brasil











