A estratégia utiliza a vacina brasileira desenvolvida pelo Instituto Butantan — dose única, tetraviral e 100% nacional. Segundo a pasta, o imunizante representa um avanço significativo para a autonomia do país na produção de vacinas.“O início da vacinação pelos profissionais da atenção primária é um passo estratégico para proteger quem atua próximo à população — médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde das unidades básicas”, destacou o ministério em nota.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou que a campanha contempla toda a equipe multiprofissional cadastrada no SUS. “São aquelas pessoas que batem na porta, visitam a casa das pessoas, observam se tem criadouro do mosquito da dengue, fazem o acompanhamento, a mobilização. Também são aqueles profissionais que estão na primeira porta de entrada quando há casos de dengue”, afirmou.
Quem pode se vacinar agora:Serão imunizados, nesta fase, profissionais assistenciais e de prevenção, como médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, odontólogos, equipes multiprofissionais (eMulti), agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE). Também estão incluídos trabalhadores administrativos e de apoio das unidades de saúde, como recepcionistas, seguranças, profissionais da limpeza, motoristas de ambulância, cozinheiros e demais funcionários das unidades básicas de saúde (UBS).
Vacinação em pilotos e ampliação para população:
Desde janeiro, três municípios-piloto — Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) — participam de uma estratégia para avaliar o impacto do imunizante na dinâmica populacional da dengue. Nessas localidades, o público-alvo são adolescentes e adultos de 15 a 59 anos.
A ampliação para a população em geral, também na faixa de 15 a 59 anos, começando pelos mais velhos, está prevista para o segundo semestre. O cronograma depende do aumento da capacidade produtiva do Instituto Butantan. O Ministério da Saúde investiu R$ 368 milhões na compra de 3,9 milhões de doses.Para escalar a produção, o Brasil firmou uma parceria estratégica com a China. A tecnologia nacional desenvolvida pelo Butantan será transferida para a empresa chinesa WuXi Vaccines, o que poderá aumentar a fabricação da vacina em até 30 vezes.
Eficácia comprovada:
Estudos clínicos demonstraram que a vacina do Butantan tem 74,7% de eficácia contra a dengue sintomática em pessoas de 12 a 59 anos, além de 89% de proteção contra formas graves e com sinais de alarme.
Cenário epidemiológico:
Em 2025, o Brasil registrou queda expressiva nos casos de dengue: 1,7 milhão de casos prováveis, o que representa redução de 74% em relação a 2024, quando foram contabilizados 6,5 milhões. O número de mortes também caiu 72% no período — de 6,3 mil para 1,7 mil óbitos.
Apesar da melhora nos indicadores, o Ministério da Saúde reforça a necessidade de manter as ações de combate ao Aedes aegypti em todo o território nacional.
Fonte: Agência Brasil











