Fiat comemora 50 anos com produção de cinema e shows gratuitos em BH, deixando Betim “a ver navios”

A Stellantis, antiga Fiat Automóveis S/A, celebra nesta quinta-feira (9) os 50 anos de sua implantação no Brasil. A história, claro, passa por Betim — cidade que registrou meio século de erros e acertos, mas que proporcionou o crescimento da empresa no cenário automobilístico mundial. A atual administração da multinacional, no entanto, mantém certa distância quanto à valorização de quem, por anos, sustentou a produção e honrou o nome da antiga Fiat Automóveis S/A. Diante disso, as comemorações incluem festivais musicais, séries limitadas de veículos e uma superprodução cinematográfica, ilustrando o domínio da empresa no setor.
Fotos: Arquivo do JC

Apesar de estar enraizada em Betim, não há notícias de que a organização do evento tenha filmado alguma cena do filme na cidade, muito menos prestado homenagens aos betinenses — como familiares dos primeiros funcionários da fábrica e demais personalidades que foram responsáveis por trazer a montadora para Betim.

Presidente mundial da Fiat, Giovanni Agnelli, cumprimenta funcionários na planta do Fiat 147.

A inauguração da tão disputada fábrica da italiana em Betim ocorreu no dia 9 de julho de 1976 e foi um evento grandioso. Às 11h20, o então presidente Ernesto Geisel, ao lado do primeiro presidente da Fiat, Adolfo Neves Martins da Costa, acionou uma sirene que ecoou pelo complexo, marcando o início das operações e celebrando a chegada da planta com a presença de 2 mil convidados, incluindo 500 jornalistas. O prefeito da época, Newton Amaral Franco, o Bio, não participou do evento, em protesto pela falta de convites para o presidente da Câmara Municipal e para os vereadores que haviam aprovado a lei que doou a área para a implantação da empresa. Tudo leva a crer que a história se repete. Depois de 50 anos, Betim não foi lembrada para participar da importante comemoração do município e região.

O então prefeito Newton Amaral Franco, que viria a falecer em abril de 1985, em seu segundo mandato, foi o responsável pela vinda da Fiat Automóveis para Betim. Na foto histórica acima, em meados de 1974, ele aparece ao lado do então governador Rondon Pacheco e demais autoridades, durante a solenidade de lançamento da Pedra Fundamental da fábrica. Bio, como era popularmente conhecido, foi duramente criticado pela oposição da época por ter concedido isenção de impostos à Fiat Automóveis por 10 anos após a inauguração.

Closé Limongi esteve presente na inauguração da Fiat e guarda até hoje sua credencial de imprensa, expedida pelo Gabinete da Presidência do Brasil.

Os opositores, porém, reconheceram posteriormente — ou puderam constatar — o potencial econômico que a montadora italiana representa para Betim, para Minas Gerais e para o Brasil.

Na montagem, a foto do ex-prefeito e cópia da Ata da Secretaria da Indústria de MG, quando foi oficializada a doação do terreno.

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