O Instituto Pedro Ivo Caminhas, que carrega o nome do deputado estadual Pinduca, pode ter sido usado em um esquema de direcionamento de recursos públicos para empresas ligadas a familiares da diretora Vânia Elias e também da ex-secretária de Assistência Social, e vice-prefeita, Cleusa Lara. As denúncias apontam que documentos financeiros demonstram pagamentos que somam R$ 459,8 mil em menos de oito meses, com indícios de falta de comprovação de serviços e contratos com microempresas recém-criadas.

Segundo levantamento da Secretaria de Governo, que a reportagem conseguiu com exclusividade, a análise de registros entre julho de 2025 e abril de 2026, referentes a um dos quatro convênios do instituto com a Prefeitura de Betim, identificou 55 lançamentos financeiros que totalizam R$ 459.799,10. O período coincide com a gestão de Cleusa Lara à frente da pasta de Assistência Social, cargo que ela deixou para concorrer a uma vaga de deputada nas eleições deste ano.
Ainda segundo fontes da Secretaria de Governo, desse montante, as despesas classificadas como “marketing digital” alcançaram R$ 62.680,80, distribuídos em 26 pagamentos. A ausência de comprovações públicas sobre a execução dos serviços e a concentração dos repasses em um pequeno grupo de empresas acendem o sinal de alerta.
Entre os CNPJs beneficiados, destaca-se o de Maria Eduarda Pinheiro Lima Lara, nora de Cleusa Lara, constituído poucos dias antes do início dos pagamentos, com capital social de apenas R$ 1 mil e atividade principal de edição de cadastros e produtos gráficos. A empresa recebeu 18 parcelas de R$ 2 mil, somando R$ 36 mil.
Outra contratada é a de Franciele da Silveira Lopes, também criada próximo ao início do convênio analisado, com repasses estimados em R$ 20 mil. Já a empresa de Vittória Cangussu Pereira, com atividade econômica semelhante, acumulou pagamentos superiores a R$ 22 mil.
O caso que mais levanta suspeitas de favorecimento pessoal envolve Raquel Elias Trindade, filha de Vânia Elias, diretora do Instituto Pinduca. A empresa de Raquel, registrada para treinamento e desenvolvimento profissional, recebeu mais de R$ 30 mil no período. Os documentos mostram ainda reajustes expressivos: o repasse mensal aumentou de R$ 2 mil (até dezembro de 2025) para R$ 3 mil (de janeiro a abril de 2026).
O maior vulto financeiro, porém, ficou com o Centro de Treinamento Paládio, que teria recebido aproximadamente R$ 310,9 mil em menos de oito meses. Também aparecem pagamentos de mais de R$ 23 mil para a empresa de Fabiano Agostinho Alves Bonzi, voltada à consultoria administrativa, com um único repasse superior a R$ 12 mil.
Enquadramento legal: A existência de vínculos familiares, por si só, não configura irregularidade, mas impõe transparência redobrada quanto aos critérios de contratação, comprovação dos serviços e observância dos princípios da impessoalidade e economicidade. Caso se confirmem favorecimento, conflito de interesses ou contratação simulada, os responsáveis podem responder nas esferas administrativa, civil e penal.
Desfecho esperado: Os diretores do Instituto Pinduca têm a oportunidade de apresentar a documentação que comprove a efetiva prestação dos serviços e afastar as suspeitas. O convênio com a Prefeitura de Betim deverá ser alvo de análises dos controles internos municipais, inspeções da Secretaria Adjunta de Convênios e auditorias. O município, se confirmadas irregularidades, é obrigado a denunciar os fatos ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG). Caso haja recursos de emendas federais envolvidos, a comunicação deverá se estender aos órgãos superiores do país.







