A princípio, conforme reunião da cúpula do partido realizada em Brasília, ficou definido que Cleitinho seria o pré-candidato a governador de Minas e o PL indicaria o vice para compor a chapa. Mas é aí que mora o perigo, pois, se compararmos o perfil político do senador mineiro com os possíveis nomes para pré-candidatos a vice – que são os empresários Vittorio Medioli e Flávio Roscoe –, existem muitas discrepâncias de experiência e bagagem política.
Como político, Cleitinho é um fenômeno em votos – isso não se discute. Iniciou sua meteórica carreira política há oito anos, como vereador em Divinópolis, depois deputado estadual e senador com mais de 2 milhões de votos. Seu perfil político, tipo “maluco beleza”, fala a língua do povão. Em suas trapalhadas, já pulou o muro de um estacionamento de veículos comprado com dinheiro público para provar que estavam abandonados. Usou trator para abrir caminho ao lado de um pedágio, a fim de evitar que os motoristas pagassem a tarifa. Como senador, ele está desempenhando um bom papel, mas como será caso seja eleito governador? Usará as mesmas estratégias populares ou terá de mudar seu modo de agir, parando de produzir vídeos malucos para as suas redes sociais?
Comenta-se no meio político que, quando chegar a “hora da onça beber água” para saber quem será vice de quem, Cleitinho ficará em larga desvantagem como administrador público no momento em que os candidatos colocarem seus currículos na mesa.

Na carreira política de Vittorio Medioli – que não esconde sua vontade de ser governador de Minas – constam quatro mandatos consecutivos de deputado federal e dois mandatos de prefeito de Betim. Como empresário, é presidente do Grupo Sada, que lidera o transporte de carros zero no Brasil, sendo proprietário de mais de 30 empresas, com cerca de 10 mil empregos diretos. Tem feito investimentos de R$ 2 bilhões, sendo R$ 1 bilhão na construção de um aeroporto em Pernambuco e mais R$ 1 bilhão na criação de uma usina de etanol de milho.

Outro nome do PL para compor a chapa de vice-governador com Cleitinho é o do empresário Flávio Roscoe, que deixou a presidência da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) para iniciar sua carreira política.
Nesse contexto, o Partido Liberal conta com o deputado federal Nycolas Ferreira para controlar esse “samba do crioulo doido” dentro da legenda, que já descartou a reeleição do atual governador Eduardo Simões. Os caciques do PL acreditam que a “ficha vai cair” para o senador Cleitinho, que poderá abrir mão da campanha de governador e aceitar ser candidato a vice-governador.
Se a “ficha vai cair” para o senador Cleitinho e ele abrir mão da pré-candidatura ao governo de Minas, só o tempo dirá.








