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Governo defende fim da escala 6×1 e destaca impacto positivo para mulheres

O governo federal intensificou a defesa da redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, aliada ao fim da escala 6×1 – modelo que prevê seis dias de trabalho para um de descanso. A proposta, em debate na Câmara dos Deputados, tem como objetivo melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, ampliando o tempo de descanso e lazer.

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Foto: Redes Sociais

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua de 2022, do IBGE, revelam que as mulheres dedicam em média 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados de pessoas, enquanto os homens gastam 11,7 horas – uma diferença de 9,6 horas. Entre mulheres pretas e pardas, a carga é ainda maior: 1,6 hora a mais que as brancas.

A secretária Nacional de Articulação Política do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, destaca que a dupla jornada leva ao adoecimento feminino.

Pesquisa da Nexus realizada em janeiro e fevereiro de 2026 mostra que 84% dos brasileiros defendem ao menos dois dias de descanso semanal, e 73% apoiam o fim da escala 6×1 desde que os salários sejam mantidos.

Uma petição pública do Movimento Vida: Além do Trabalho (VAT), iniciada em 2023, já reuniu quase 3 milhões de assinaturas. O texto pede a revisão do modelo por afetar a saúde e o equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

Setores econômicos alertam para custos:Entidades patronais, no entanto, projetam impactos negativos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima aumento de custos de até R$ 267 bilhões por ano, com acréscimo de 7% na folha de pagamentos. Para a CNI, a redução da jornada, sem reposição de horas, pode diminuir a atividade econômica.

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) calcula elevação de custos em R$ 122,4 bilhões anuais no setor e possível alta de até 13% nos preços ao consumidor. A entidade defende que alterações sejam feitas por negociação coletiva.

Estudo projeta geração de empregos: Pesquisadores do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit/Unicamp) contestam os argumentos patronais. O estudo “O Brasil está pronto para trabalhar menos” aponta que a mudança pode beneficiar 37% dos trabalhadores e gerar 4,5 milhões de empregos, com aumento de produtividade.

Tramitação no Congresso: A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do tema está na Câmara dos Deputados. Em fevereiro, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou a matéria à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, posteriormente, deverá seguir para uma comissão especial. Motta admite a possibilidade de votação em plenário já em maio.

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, sinalizou que o governo pode enviar um projeto de lei com urgência caso o debate no Congresso não avance na “velocidade desejada”.

Fonte: Agência Brasil

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