O presidente da Câmara Municipal, Léo Contador (Cidadania), pode ser o primeiro a “tomar chumbo na asa”. Sua pré-campanha a deputado federal, até então considerada consolidada, agora enfrenta incertezas diante da movimentação de Medioli. Segundo apuração da reportagem, a vice-prefeita Cleusa Lara volta a ser cogitada para concorrer à Câmara dos Deputados, desta vez pelo Partido Novo, com o apoio do governador Romeu Zema e do seu vice, Mateus Simões, que é pré-candidato ao Governo de Minas.
Cleusa Lara teria recebido convite formal do presidente estadual da legenda, Eduardo Laguna, e do próprio governador para se filiar ao partido e disputar a eleição na mesma sigla do chefe do Executivo mineiro. Caso a articulação se concretize, o impacto sobre a estratégia de Léo Contador será significativo. Nas últimas eleições, Cleusa obteve mais de 38 mil votos para federal, consolidando-se como um nome competitivo, com potencial para dividir a base eleitoral do presidente da Câmara e alterar o resultado nas urnas.
Enquanto isso, Medioli ainda busca definir sua filiação partidária. O desejo inicial do ex-prefeito era ingressar no Republicanos, mas o caminho enfrenta resistência interna. Deputados estaduais da legenda, incluindo lideranças religiosas ligadas à Igreja Universal, demonstram preocupação com a entrada de Medioli, que poderia alterar a correlação de forças na chapa estadual.
Outra alternativa analisada é a construção de uma candidatura por uma sigla menor. Entre as possibilidades discutidas nos bastidores, está o partido que sucedeu o antigo Partido da Mulher Brasileira, que passou por reestruturação e mudança de nome recentemente, abrindo espaço para novas lideranças regionais.
Com a eventual inviabilização de uma candidatura de Cleusa Lara a deputada estadual nesse novo cenário, a vice-prefeita retomaria o projeto original de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
Diante dessa reconfiguração, Léo Contador, atualmente filiado ao Cidadania, também teria de avaliar uma mudança partidária para ampliar sua competitividade. Interlocutores próximos ao prefeito Heron Guimarães afirmam que, mesmo durante viagem institucional à Colômbia, o chefe do Executivo considera que o União Brasil seria o caminho mais viável para a candidatura do presidente da Câmara, por garantir estrutura política, tempo de televisão e recursos do fundo partidário.
O movimento, no entanto, não é simples. Um dos principais obstáculos é a relação histórica e conturbada entre Vitório Medioli e o grupo político do deputado federal Rodrigo de Castro, atual presidente estadual do União Brasil. A rivalidade remonta a disputas anteriores e envolve também o ex-secretário de Estado Danilo de Castro, pai do parlamentar.
Com todas essas possibilidades, o cenário eleitoral de Betim passa a ser considerado um dos mais indefinidos dos últimos anos. A entrada de Medioli reacendeu disputas internas, abriu novas possibilidades partidárias e aumentou o grau de incerteza sobre alianças e candidaturas, tornando os próximos meses decisivos para a definição das chapas que disputarão vagas no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.











