O caso veio a público às vésperas do pleito, quando uma assessora ligada ao então candidato a vereador Carlinhos do Niterói foi flagrada ao realizar um saque em espécie no valor de R$ 61 mil em uma agência bancária da cidade. De acordo com a PF, a mulher já havia efetuado outras retiradas de valores expressivos e pretendia realizar novas operações do tipo até o dia da eleição.

A suspeita é de que os recursos abasteceriam de forma irregular campanhas de candidatos do Avante, incluindo o próprio Carlinhos do Niterói e outros nomes ligados à sigla. As movimentações financeiras atípicas levantaram alerta para possível prática de caixa dois e abuso de poder econômico.

A investigação, no entanto, não se restringe ao episódio do saque. Segundo apurações em curso, outros candidatos e articuladores políticos do mesmo grupo também estão na mira da PF. O núcleo investigado teria como principal liderança o vereador Klebinho Rezende, eleito pelo Avante em Betim, apontado como mandatário da organização política. Já a coordenação das ações de campanha seria atribuída ao ex-secretário municipal de Saúde Guilherme Carvalho, que já responde a outro inquérito da Polícia Federal por suspeita de desvio de verbas federais destinadas ao enfrentamento da pandemia de Covid-19.
A PF também apura possível conexão entre a movimentação financeira suspeita e a estrutura de campanha coordenada pelo grupo. Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão, expedidos pelo 5º Juízo das Garantias, com o objetivo de coletar documentos, mídias digitais e outros elementos que possam subsidiar as investigações.
Até o momento, não há informações oficiais sobre denúncias formais ou pedidos de indiciamento no âmbito específico da Operação “Saque Retido”. Os citados ainda não se manifestaram publicamente sobre o caso, que corre sob sigilo.
Caso sejam confirmadas as irregularidades, o episódio poderá gerar desdobramentos tanto na esfera criminal quanto na Justiça Eleitoral, com impacto direto no cenário político local. Os investigados poderão responder pelos crimes de falsidade ideológica eleitoral, corrupção eleitoral e associação criminosa.







