Betim ganha a primeira casa de acolhimento para mulheres vítimas de violência

O prefeito Heron Guimarães inaugura na próxima sexta-feira (3), às 9h, a Casa Jackeline Oliveira, a primeira unidade de acolhimento do município voltada para mulheres em situação de violência. O espaço, que recebe os últimos detalhes da estrutura, está localizado na rua Dr. José Maria Alkimin, 144, no centro, e foi concebido para ser um ambiente seguro e acolhedor, oferecendo atendimento humanizado, apoio psicológico, assistência jurídica e encaminhamento para a rede de proteção já existente.
Fotos: Jeva Guedes

A missão da Casa Jackeline Oliveira é garantir segurança, fortalecer a autonomia feminina, prevenir novas situações de violência e ampliar o acesso às políticas públicas de proteção e empoderamento.

O diferencial da nova unidade é a atuação em rede, reunindo sob o mesmo teto vários serviços especializados:

· Patrulha de Proteção à Mulher (PPM): Atua na prevenção e combate ao ciclo de violência doméstica.

· Cream (Centro de Referência Especializado de Atendimento à Mulher): Oferece acompanhamento psicossocial, encaminhamentos para a rede de proteção, Conselho Tutelar, psicólogos e acolhimento institucional.

· Superintendência da Mulher: Presta apoio jurídico e realiza oficinas de fortalecimento e autonomia.

· Conselho Municipal dos Direitos da Mulher: Garante a articulação e a presença da rede de apoio.

O nome da casa homenageia Jackeline Oliveira, uma jovem betinense brutalmente assassinada pelo ex-namorado aos 21 anos, no Dia das Mães de 1994. O crime, que teve repercussão nacional, tornou-se um marco na luta contra a violência de gênero na cidade.

Jackeline foi morta a tiros dentro de um carro. Inicialmente, o caso foi marcado por graves falhas investigativas, que levaram à prisão injusta de quatro jovens após confissões obtidas sob tortura. Após insistência da família e com apoio da imprensa, um novo inquérito, com reconstituição do caso, confirmou o ex-namorado como autor do feminicídio – que já havia sido apontado por Jackeline como uma ameaça constante.

Seu diário, preservado pela família, inspirou frases e imagens que hoje compõem a identidade visual da casa. “Assim, o nome Jackeline vai além de uma homenagem: o espaço foi preparado para transformar dor em acolhimento e oferecer apoio a centenas de mulheres betinenses”.

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