Enquanto os malefícios do tabagismo tradicional são amplamente conhecidos, os perigos do vape ainda geram dúvidas. No entanto, o consenso científico é claro: o produto é nocivo. “Não é só sabor com vapor e aromas: os cigarros eletrônicos causam muitos danos para a saúde”, destaca Nayara Resende Pena, coordenadora dos Programas de Promoção da Saúde da SES-MG.

Criados nos anos 2000, os vapes ganharam forte apelo entre o público jovem. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2019 mostram que 16,8% dos estudantes brasileiros entre 13 e 17 anos já haviam experimentado o dispositivo.
O pneumologista Frederico Thadeu Campos reforça a mensagem: “O vape parece inofensivo, mas é 100% perigoso”. Apesar de muitas vezes liberar um vapor aparentemente inodoro, o dispositivo carrega substâncias altamente tóxicas, como nicotina, metais pesados e compostos químicos ligados a graves problemas pulmonares.
Entre os principais riscos está a Evali (E-cigarette or Vaping use-Associated Lung Injury), uma síndrome reconhecida como lesão pulmonar aguda provocada pelo uso do cigarro eletrônico. Diferente de uma pneumonia, a Evali não é uma infecção, mas uma inflamação severa que pode causar falta de ar, tosse, dor no peito e até complicações em outros órgãos.
“O diagnóstico exige uma anamnese bem feita, já que os sintomas podem confundir médicos e pacientes”, explica o Dr. Campos. Duas substâncias frequentemente ligadas à síndrome são o Tetrahidrocanabinol (THC) e o acetato de vitamina E.
Para melhor monitorar o impacto, o Ministério da Saúde, em parceria com o Inca e a Anvisa, publicou em março de 2025 uma nota técnica orientando os profissionais de saúde a registrarem corretamente os casos de Evali nas Declarações de Óbito, com um código específico (U07.0) no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).
No Brasil, a fabricação, importação, comercialização e propaganda de cigarros eletrônicos são proibidas desde 2009, com reforço na regulação pela Anvisa em 2024.
Diante do cenário de risco, a SES-MG enfatiza a importância da prevenção. Em Minas Gerais, todos os municípios aderiram ao Programa Saúde na Escola (PSE), que promove atividades educativas integradas entre unidades de saúde e escolas para combater o tabagismo.
“É fundamental investir em informação e prevenção, especialmente entre adolescentes, que são o principal alvo da indústria do vape”, ressalta Nayara Pena.
Fonte: Agência Minas







